02/05/2010

Os (maus) sonhos

Sonhos...
Muitos chamam-nos de casa
Mendigos do devir
Refugiam-se neste castigo de Deus
Porventura devido à desventura
De um presente despedaçado
Marcado por um passado desfigurado
Vivendo com as suas marcas eternamente.

Vivem mas não vivem,
Sobrevivem na incerteza
À espera de algo ou alguém,
Dádiva de um rosto que não conhecem.

Aguardam a sua glorificação
Culpabilizando-se por algo que não têm culpa
Meros observadores da vida
Apanham o comboio da ilusão
Partindo para um destino incerto
Mas certamente deixando de viver.

Tornando-se prisioneiros
Na convicção que são
Mais livres do que nunca
A esperança que lhes dá força para sobreviver
Destrói toda uma vida
Sem dó nem piedade.

Pois eu digo-vos:
Sonhos há muitos.
Vida há só uma.

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